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Biblioteca da Vida

Tenho outras mãos

que vasculham o Vento amarelo

Nele torço pedaços

de toques e palavras


Como se cria um dicionário

para tudo que é impossível?

Desses registros antigos

escondo maiores definições


Como se fala do Vento amarelo

tudo que se desfaz?

Sinto invasões ancestrais

das misturas de sentimentos


Não ter mais qualquer sinceridade

porque tudo é rascunho mal feito

Uma apreensão e tamanho

na proporção do Deserto


Quis dizer mais um pouco

como se por teimosia

Também falta de sabedoria

para calar onde tudo é partida


Quis vender aos punhados

como se tivesse posses

Mas talvez seja só o espelho

esperando minha falta de rosto


Sim, perder cabeças como infiel

ou talvez por alguma certeza

O reflexo não pergunta mais

o descanso de minha Luz


Providenciar estritamente as horas

para nada dizer

Providenciar totalmente os materiais

para apenas esperar


Parecia que algum anjo lunático

estava lendo na Biblioteca da Vida

Um exemplar com meu nome

e percebeu que não havia história


A partir de um verso

todas as letras sumiam

Sumiam imensamente

a ponto de não deixar vestígio


Como se tudo ressoasse

a fagulhas de vida eterna

Absurdo maior foi que neste verso

comecei a viver...

 
 
 

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