Compromissos eternos
- poetadohorizonte

- 8 de fev.
- 2 min de leitura
Não sei o tamanho da noite
mas ainda escrevo cartas brancas
Que já não tem nada a dizer
e por isso mesmo, dizendo tudo
Como se cada branco fosse único
com uma mensagem do impossível
Talvez acendendo o único ponto
que vale a pena: o CorAção
As horas escuras somem
imensamente antes de mim
E como quem tateia imaginando
a Luz que viu como relance
Tudo é vasto e mais
como mãos e sobras
Respirar com o mesmo peito
de quem ouve o distante
Talvez caibam pedaços
e muitas quedas
Mas como objetivo se desfaz
tudo tem a órbita do sussurro
Que importam as combinações
quase infinitas de palavras?
Que importam as definições
que põem fim a tudo?
Já diziam que quando as palavras
se perdem é que a conversa começa
Começando uma conversa
trancada e truncada
Talvez meu único leitor
só precise da última carta branca
E não ficará estarrecido
com atestados e declarações
Fiz do meu Silêncio profundo
a última oração do Deserto
Assim se ganha alguns oásis
e muito do que vai além das miragens
As frestas das palavras
são os furos da ilusão
E por isso a carta real
some com tudo e envia o CorAção
Mas haverá dia ainda
e muita celebração
Quando tudo for perdido
restará o quê?
Nesse dia sem nada
não se pode mais sufocar
Mas enquanto a fantasia persiste
lembro de mandar cartas
Todas brancas, ou com a única
tinta real
Porque nada na lei eterna
é desperdício
Hoje, como testemunha do Vento,
escrevi sem entender
Porque começa-se a caminhar
sem nenhum entendimento
E um fino fio de saber
passa a cravejar os poros
Que não se pode explicar
mas apenas respirar
Hoje, é esse dia
quando não houver calendário
E é nele que deposito
todos meus compromissos eternos...
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