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Compromissos eternos

Não sei o tamanho da noite

mas ainda escrevo cartas brancas

Que já não tem nada a dizer

e por isso mesmo, dizendo tudo


Como se cada branco fosse único

com uma mensagem do impossível

Talvez acendendo o único ponto

que vale a pena: o CorAção


As horas escuras somem

imensamente antes de mim

E como quem tateia imaginando

a Luz que viu como relance


Tudo é vasto e mais

como mãos e sobras

Respirar com o mesmo peito

de quem ouve o distante


Talvez caibam pedaços

e muitas quedas

Mas como objetivo se desfaz

tudo tem a órbita do sussurro


Que importam as combinações

quase infinitas de palavras?

Que importam as definições

que põem fim a tudo?


Já diziam que quando as palavras

se perdem é que a conversa começa

Começando uma conversa

trancada e truncada


Talvez meu único leitor

só precise da última carta branca

E não ficará estarrecido

com atestados e declarações


Fiz do meu Silêncio profundo

a última oração do Deserto

Assim se ganha alguns oásis

e muito do que vai além das miragens


As frestas das palavras

são os furos da ilusão

E por isso a carta real

some com tudo e envia o CorAção


Mas haverá dia ainda

e muita celebração

Quando tudo for perdido

restará o quê?


Nesse dia sem nada

não se pode mais sufocar

Mas enquanto a fantasia persiste

lembro de mandar cartas


Todas brancas, ou com a única

tinta real

Porque nada na lei eterna

é desperdício


Hoje, como testemunha do Vento,

escrevi sem entender

Porque começa-se a caminhar

sem nenhum entendimento


E um fino fio de saber

passa a cravejar os poros

Que não se pode explicar

mas apenas respirar


Hoje, é esse dia

quando não houver calendário

E é nele que deposito

todos meus compromissos eternos...

 
 
 

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