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Dignidade de um Olhar

Atualizado: 29 de dez. de 2023

Tenho milagres onde escondo

minha Vida

Nela nem quis cantar a Lua

e sua fragilidade cristalina


Ou ainda o outro Sol

que resolve se acender

Quis cantar o que o sopro

da voz não pode dar


Quis cantar inventando

as realidades sutis

Afinal tenho investimentos

nesses termos de colapso


Quem daria o Amor

antes da manhã?

Quem daria a manhã

muito antes do Amor?


Eram dessas verdadeiras

fragilidades que pulsam o Vento

Ele leva minhas orações

como enigmas de crianças


Os sábios estão descansando

seus sorrisos enigmáticos

Esperam à beira do rio

um espelho sem Narciso


Horas e horas crescidas

em um relógio de Sol

Mais preciso dos fatos

porque despontam o símbolo


Todos que atravessam o Deserto

sabem bem calcular distâncias

Não por grãos ínfimos de areia

mas com Estrelas além da miragem


Era esse tipo de canto que quis

verter além dos signos

Pois quem olha os signos

está cansado e perdido


Quer encontrar algum animal

esparso e pobre

Não para se alimentar

mas para correr


E as Estrelas aguentam

quase firmes

Têm seus poros invertidos

a suar luz pelos cantos


O mesmo canto que quis

cantar sozinho

Meus Olhos se escondem

e a plateia também


Meus Olhos somem

e a plateia finge

Mas finge tão bem

que acabam buscando signos...


O antigo escorpião que nem se importa

com seu veneno, só quer andar

Mas meus Olhos e a plateia

também parecem andar


Vão a outras paragens

a outros momentos

Não querem mais se esconder

e os sábios esperam sorrindo


Eles não entoam mais

o meu canto

Estão ali à beira-rio

quase implorando por um homem


Um homem que soube do enigma

e não ajoelhou

Porque sabia que a dignidade

está no olhar...


O mesmo olhar ancestral

de quem se animou

Quando viu finalmente as Estrelas

não dizerem mais nada...

 
 
 

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