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Escombros dos rostos

Hoje os sussurros são maiores

que os gritos

Imprimem a força

de tudo que tende ao Silêncio


Por isso consuma e suma

bem antes de tudo

Destrua seus templos

mais puros


Vá longe imensamente

onde nada caiba

E lá esqueça de construir

seja lá o que for


Que a facilidade da despedida

seja intensa e maior

Que não haja engano

quando até a estrada for embora


Suma, faça demolição

por demolição

Até que seu peito

seja a única casa


Aí sim nele faça algum mosaico

que conte os resquícios

Ou até os indícios

para provar que sumiu


Quando tudo isso for

completamente entendido

Haverá mais amor

e lágrimas agradecidas


Talvez a lembrança

seja uma palavra esparsa

E como ninguém pediu

sempre uma incompreensão


Hoje não se pede mais

histórias com o amor frágil

Hoje encontre a demolição

como a maior obra já feita


Traga os escombros

como cartas respeitadas

Traga as ruínas

como febre


Traga ainda estilhaços

como verdades certeiras

Para que nada possa

ser escondido ou revelado


Não pela propriedade

do enigma

Mas pela companhia perfeita

de tudo que vai


Ali está uma chave,

um trecho descansado de luz

Ali ressoa o último Vento

do último Horizonte


Nele cabem passos ancestrais

sem nenhum pé

E mesmo assim maiores

que qualquer caminhada


Disso tudo que vai

apenas sopro e sorrio

Não pro fingimento

do espelho


Não para a luz críptica

das fotografias

Muito menos para a sinceridade

dos que esqueceram de amar


Sorrio e sopro porque

ainda é possível

Porque ainda há luz

pra dizer meu pedaço impossível


Sopro e sorrio muito antes

dos calendários e aniversários perdidos

Talvez fosse um compromisso

e muita indecisão


Quem pede a contribuição

espera seu pedaço

Eu sorrio e sopro

sem pedaço, e sem contribuição


Por isso convoco e peço

de todos que demoliram

Que não queiram construir nada

desses escombros mal ajeitados


Apenas soprem e sorriam

para que o rosto seja nu

E o portal de sua maior

verdade...

 
 
 

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