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Espera sem Palavras

Um dia não quis mais

o dizer que as horas

Esperei eternamente

sem uma palavra


Como pode o Poeta

se despir das palavras?

Como pode o calendário

se despir do Poeta?


Não havia mais nada

a se dizer que não fosse absoluto

Tremendamente gigante

e inútil


Encapsulado pelas ventanias

que pareciam querer algo

Mas novamente não sobra

mais nada


Que teriam os Ventos

novamente a dizer?

Nada, são apenas

Vento e passam


Qualquer Poeta maior

teria a chance de dizer

Mas eu não tive, não era

nem Poeta e nem maior


Como se reflete o orgulho

por entre as passagens?

Como se reflete tudo

que é inútil e imperioso?


Um dia quis dizer

mas não eram mais palavras

Eram apenas este poema

distorcido e mal gasto


Não importa mais

que duas mãos

Nem mesmo a ação final

podia verter


Se um dia disser o que

me falta e é profundo

Faltarão poemas

e muitas ilusões


Faltarão o orgulho

e a sinceridade que podia dizer

Faltará honestidade

onde tudo realmente falta


Que importa agora também

não dizer o que se quer?

Restam poemas e lamúrias?

Nunca! Nunca restam poemas ou lamúrias


Restam apenas o enigma

e o canto do Mistério

Que servem para me cobrir

onde a Noite é mais que repouso


Quero dormir além,

muito além

Onde faltem de propósito

as palavras


Lá terei meu resguardo

e o meu aguardar

Por uma hora em que tudo

sucumbirá


Neste dia pleno de horas

terei meu próprio calendário

E alguns instantes para dizer

novamente tudo que não veio


Vão dizer que foi tudo apenas

um improviso

Mas eu não caberei

na medida


E é dela que retiro

meu punhado de verdade

Para cantar novamente

tudo que não posso dizer...

 
 
 

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